Formulário e notas deste tema
Exercício 1
★★Exame nacionalExame Nacional 2017, 1.ª fase — Grupo V, itens 1.1, 1.2.1, 1.2.2, 1.3
A Figura 3 representa uma montagem que foi utilizada na determinação experimental do módulo da aceleração gravítica.
Nos vários ensaios realizados, abandonou-se uma esfera sempre da mesma posição inicial, imediatamente acima da célula fotoelétrica A.
1. Numa primeira experiência, mantendo as células fotoelétricas à mesma distância uma da outra, mediu-se o tempo que a esfera demorou a percorrer a distância entre as células A e B, \({t}_{A\to B}\), e o tempo que a esfera demorou a passar em frente da célula B, \({t}_{B}\).

a) [★] Num conjunto de ensaios, realizados nas mesmas condições, obtiveram-se os valores de \({t}_{B}\) apresentados na tabela seguinte.
| Ensaio | \({t}_{B}\) / ms |
|---|---|
| 1.º | 8,84 |
| 2.º | 8,78 |
| 3.º | 8,79 |
Qual é, para esse conjunto de ensaios, o resultado da medição de \({t}_{B}\)?
(A) \({t}_{B}=\left( 8,80\pm 0,01 \right) \text{ms}\)
(B) \({t}_{B}=\left( 8,80\pm 0,06 \right) \text{ms}\)
(C) \({t}_{B}=\left( 8,80\pm 0,05 \right) \text{ms}\)
(D) \({t}_{B}=\left( 8,80\pm 0,04 \right) \text{ms}\)
b) [★] Num dos métodos utilizados, determinou-se o valor aproximado do módulo da velocidade da esfera no instante em que esta se encontra em frente da célula fotoelétrica B, \({v}_{B}\), dividindo o diâmetro da esfera por \({t}_{B}\).
Ao determinar \({v}_{B}\) por este método, que aproximação se faz?
c) [★★] O cálculo de \({v}_{B}\) pressupõe que a esfera interrompe o feixe luminoso da célula B pelo seu diâmetro. No entanto, um erro experimental frequente decorre de a esfera interromper, de facto, o feixe luminoso por uma dimensão inferior ao seu diâmetro.
Quando este erro ocorre, o valor de \({v}_{B}\) calculado é ____________ ao verdadeiro, o que determina um erro por ____________ no valor experimental do módulo da aceleração gravítica.
(A) superior … excesso
(B) superior … defeito
(C) inferior … excesso
(D) inferior … defeito
d) [★] No cálculo do módulo da aceleração gravítica, que valor deverá ser considerado para o módulo da velocidade da esfera no instante em que esta se encontra em frente da célula fotoelétrica A?
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a) ★
Resposta: (D)
Valor mais provável (média): \({\hat{t}}_{B}=\frac{8,84+8,78+8,79}{3}\approx 8,80 \text{ms}\).
Incerteza de leitura num conjunto de poucas medições: o maior desvio absoluto em relação à média, \(\left| 8,84-8,80 \right|=0,04 \text{ms}\).
Resultado: \({t}_{B}=\left( 8,80\pm 0,04 \right) \text{ms}\).
b) ★
Resposta: considera-se que o módulo da velocidade da esfera é constante (movimento uniforme) durante o intervalo de tempo \({t}_{B}\) em que passa em frente da célula; ou seja, \({v}_{B}\) é o módulo da velocidade média nesse intervalo, \({v}_{B}=\frac{D}{{t}_{B}}\).
c) ★★
Resposta: (A)
A distância efetivamente percorrida durante \({t}_{B}\) é inferior ao diâmetro, \(d<D\). Como \({v}_{B}\) é calculado com \(D/{t}_{B}\), o valor obtido é superior ao verdadeiro.
O módulo da aceleração é \(g=\frac{{v}_{B}-{v}_{A}}{{t}_{A\to B}}\) (com \({v}_{A}\approx 0\)): se \({v}_{B}\) é maior, \(g\) também fica maior que o valor real, ou seja, erro por excesso.
d) ★
Resposta: \({v}_{A}=0 {\text{m s}}^{-1}\).
A esfera é abandonada (largada do repouso) imediatamente acima da célula A, pelo que passa por A com velocidade praticamente nula.
Exercício 2
★★Exame nacionalExame Nacional 2017, 1.ª fase — Grupo V, item 2
A Figura 3 representa uma montagem que foi utilizada na determinação experimental do módulo da aceleração gravítica.
Nos vários ensaios realizados, abandonou-se uma esfera sempre da mesma posição inicial, imediatamente acima da célula fotoelétrica A.

Numa segunda experiência, variando a distância entre as células A e B, foi possível determinar o módulo da aceleração gravítica a partir do gráfico do quadrado do tempo que a esfera demorou a percorrer a distância entre as células, \({t}_{A\to B}^{2}\), em função da distância percorrida, \(\Delta y\).
A partir dos valores obtidos, determinou-se a equação da reta que melhor se ajusta ao conjunto de pontos do gráfico:
\[{t}_{A\to B}^{2}=0,198\,\Delta y-0,001 \left( \text{SI} \right)\]
Determine o erro percentual (erro relativo, em percentagem) do módulo da aceleração gravítica obtido nesta experiência, tomando como referência o valor \(9,8 {\text{m s}}^{-2}\).
Apresente todas as etapas de resolução.
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Passo A — Aceleração gravítica obtida
Com \({v}_{A}=0\): \(\Delta y=\frac{1}{2}g\,{t}^{2}\Rightarrow {t}^{2}=\frac{2}{g}\,\Delta y\). O declive da reta é \(\frac{2}{g}=0,198\), logo
\[g=\frac{2}{0,198}\approx 10,1 {\text{m s}}^{-2}\]
Passo B — Erro percentual
\[\text{erro}=\frac{\left| 10,1-9,8 \right|}{9,8}\times 100\approx 3,1\,\%\]
Exercício 3
★★Exame nacionalExame Nacional 2022, época especial — item 5.1.2
No âmbito da agricultura inteligente (ou smart farming), aposta-se na hidroponia, uma técnica de cultivo de espécies vegetais que não necessita de solo e em que se usam ferramentas tecnológicas. Esta forma de cultivo mais sustentável pode ser implantada em meio urbano, permite economizar água e reforça a segurança alimentar.

Para determinar o comprimento de onda da componente espectral de maior intensidade da radiação emitida por um LED, realizou-se uma atividade experimental de difração.
A montagem experimental está esquematizada na Figura 8.
Com uma rede de difração de 1000 linhas por mm, situada a uma dada distância, \(L\), do LED ligado, observa-se um espectro, estando a cor da componente espectral de maior intensidade a uma dada distância, \(b\), do LED.
O comprimento de onda, \(\lambda \), da componente espectral de maior intensidade pode ser obtido a partir da expressão
\[d\,\sin \theta =n\,\lambda \]
em que:
– \(n\) corresponde à ordem do máximo (o primeiro máximo visível tem \(n=1\)); – \(d\) representa a distância entre o centro de duas linhas consecutivas na rede de difração; – \(\theta \) representa o ângulo entre a direção perpendicular à rede de difração e a direção entre o observador e o primeiro máximo da componente espectral.
Num dos ensaios realizados, mediu-se uma distância \(L\) de \(150 \text{mm}\) e obteve-se uma distância \(b\) de \(72 \text{mm}\).
Calcule o comprimento de onda da componente espectral de maior intensidade do LED.
Apresente todos os cálculos efetuados.
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Passo 1 — Ângulo: \(\sin \theta =\frac{b}{\sqrt{{b}^{2}+{L}^{2}}}=\frac{72}{\sqrt{{72}^{2}+{150}^{2}}}=0,433\) (\(\theta \approx 25,{6}^{\circ }\)).
Passo 2 — Distância entre linhas: 1000 linhas por mm \(\Rightarrow d=\frac{1}{1000} \text{mm}=1,00\times {10}^{-3} \text{mm}=1,00\times {10}^{-6} m\).
Passo 3 — Comprimento de onda (\(n=1\)):
\[\lambda =\frac{d\sin \theta }{n}=1,00\times {10}^{-6}\times 0,433\approx 4,3\times {10}^{-7} m\]
Exercício 4
★★Exame nacionalExame Nacional 2024, 1.ª fase — item 8.1
Um professor desafiou os alunos a planearem uma experiência, para determinar um valor aproximado da velocidade de propagação do som no ar, utilizando um apito, uma lanterna, uma fita métrica e um cronómetro.
Dois alunos, A e B, planearam uma experiência em que, para minimizar os erros experimentais, estariam suficientemente afastados um do outro, numa zona plana e livre de obstáculos.
Descreva um procedimento experimental que permita aos dois alunos obterem o módulo da velocidade de propagação do som no ar, respeitando as condições indicadas.
Considere apenas um ensaio.
Apresente um texto bem estruturado e utilize linguagem científica adequada.
Ver resolução
Elementos de resposta:
Os alunos medem, com a fita métrica, a distância, \(d\), que os separa.
O aluno A liga a lanterna e, em simultâneo, toca o apito.
O aluno B inicia o cronómetro quando vê a luz da lanterna (a luz chega praticamente instantaneamente) e pára-o quando ouve o som do apito, obtendo o intervalo de tempo, \(\Delta t\).
Cálculo: \({v}_{som}=\frac{d}{\Delta t}\).
Exercício 5
★★★Exame nacionalExame Nacional 2020, 1.ª fase — Grupo I, itens 3.1, 3.2.2
3. Os tempos de descida da esfera sobre o plano inclinado foram medidos indiretamente a partir dos volumes de água vertidos por uma bureta. Assim, em cada ensaio realizado, abriu-se a torneira da bureta no instante em que a esfera foi largada sobre o plano inclinado e fechou-se a torneira da bureta no instante em que a esfera atingiu a base do plano.

a) [★] Na Figura 2, reproduzem-se duas fotografias (I e II) de parte da bureta, graduada em cm³, nas quais se observa o nível da água no início (I) e no final (II) de um dos ensaios.
Qual foi o volume de água escoado nesse ensaio?
Apresente o valor solicitado com o número correto de algarismos significativos.
b) [★★★] Considere que, nos ensaios realizados, a bureta vertia, aproximadamente, \(1,6 {\text{cm}}^{3}\) de água em cada segundo.
Na tabela seguinte, estão registadas as distâncias, \(d\), percorridas pela esfera, largada de diferentes posições sobre o plano inclinado, e os volumes, \(V\), de água vertidos até a esfera atingir a base do plano.
| \(d\) / m | \(V\) / cm³ |
|---|---|
| 3,00 | 5,60 |
| 2,50 | 5,00 |
| 2,00 | 4,55 |
| 1,50 | 3,90 |
| 1,00 | 3,20 |
Determine o módulo da aceleração da esfera, em \({\text{m s}}^{-2}\), a partir da equação da reta de ajuste a um gráfico adequado.
Na resposta:
– apresente uma tabela com os valores a utilizar na construção do gráfico, identificando as variáveis consideradas; – apresente a equação da reta de ajuste a esse gráfico; – calcule o valor solicitado.
Explicite o seu raciocínio, indicando todos os cálculos efetuados.
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a) ★
Resposta: \(V=4,40 {\text{cm}}^{3}\)
\(V={V}_{\text{final}}-{V}_{\text{inicial}}\) (leituras do menisco inferior em I e em II).
A bureta tem divisões de \(0,1 {\text{cm}}^{3}\); a leitura faz-se com uma casa decimal estimada (menor divisão \(\pm \) metade da menor divisão \(=0,05\)), pelo que o resultado se apresenta com duas casas decimais: \(4,40 {\text{cm}}^{3}\) (três algarismos significativos).
b) ★★★
Passo 1 — Tempo de escoamento: \(t=\frac{V}{1,6}\) (s, com \(V\) em cm³).
Passo 2 — Modelo: movimento uniformemente acelerado a partir do repouso: \(d=\frac{1}{2}a\,{t}^{2}\Rightarrow {t}^{2}=\frac{2}{a}\,d\). Constrói-se o gráfico de \({t}^{2}\) em função de \(d\) (reta; declive \(=2/a\)).
| \(d\) / m | \(V\) / cm³ | \(t\) / s | \({t}^{2}\) / s² |
|---|---|---|---|
| 3,00 | 5,60 | 3,50 | 12,25 |
| 2,50 | 5,00 | 3,13 | 9,77 |
| 2,00 | 4,55 | 2,84 | 8,09 |
| 1,50 | 3,90 | 2,44 | 5,94 |
| 1,00 | 3,20 | 2,00 | 4,00 |
Passo 3 — Reta de ajuste (calculadora): \({t}^{2}\approx 4,06\,d-0,12\) (SI). A omissão da ordenada na origem não é penalizada.
Passo 4 — Aceleração:
\[\frac{2}{a}=4,06\Rightarrow a=\frac{2}{4,06}\approx 0,49 {\text{m s}}^{-2}\]
(Valor oficial: \(a\approx 0,49 {\text{m s}}^{-2}\); pequenas diferenças no declive dependem dos arredondamentos.)
Exercício 6
★★★Exame nacionalExame Nacional 2021, 1.ª fase — item 4
Fez-se incidir um feixe de luz laser, que se propagava no ar, numa lâmina de um vidro, segundo cinco ângulos de incidência, \({\alpha }_{inc}\). Para cada ângulo de incidência, mediu-se o correspondente ângulo de refração, \({\alpha }_{ref}\). As amplitudes dos ângulos \({\alpha }_{inc}\) e \({\alpha }_{ref}\) estão registadas na tabela.
| \({\alpha }_{inc}\) | \({\alpha }_{ref}\) |
|---|---|
| 30,0° | 17,5° |
| 40,0° | 23,0° |
| 50,0° | 27,5° |
| 60,0° | 30,5° |
| 70,0° | 34,5° |
Determine o índice de refração daquele vidro.
Na resposta, apresente:
– uma tabela com os valores a utilizar na construção do gráfico, identificando as variáveis consideradas; – a equação da reta de ajuste a um gráfico adequado; – o cálculo do valor solicitado, a partir da equação da reta de ajuste.
Apresente todos os cálculos efetuados e o resultado com três algarismos significativos.
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Passo 1 — Lei de Snell-Descartes: \({n}_{ar}\sin {\alpha }_{inc}={n}_{vidro}\sin {\alpha }_{ref}\), com \({n}_{ar}=1\):
\[\sin {\alpha }_{inc}={n}_{vidro}\,\sin {\alpha }_{ref}\]
Gráfico de \(\sin {\alpha }_{inc}\) (y) em função de \(\sin {\alpha }_{ref}\) (x): reta que passa pela origem, de declive \({n}_{vidro}\).
Passo 2 — Tabela:
| \({\alpha }_{inc}\) | \({\alpha }_{ref}\) | \(\sin {\alpha }_{ref}\) | \(\sin {\alpha }_{inc}\) |
|---|---|---|---|
| 30,0° | 17,5° | 0,301 | 0,500 |
| 40,0° | 23,0° | 0,391 | 0,643 |
| 50,0° | 27,5° | 0,462 | 0,766 |
| 60,0° | 30,5° | 0,508 | 0,866 |
| 70,0° | 34,5° | 0,566 | 0,940 |
Passo 3 — Reta de ajuste (calculadora): \(\sin {\alpha }_{inc}\approx 1,70\,\sin {\alpha }_{ref}-0,015\).
Passo 4: \({n}_{vidro}=\text{declive}\approx 1,70\).
Exercício 7
★★★Exame nacionalExame Nacional 2026, 1.ª fase — item 8.1
Jorge Dias de Deus, no livro Galileu e a Parábola, explicou que Galileu não teria conseguido atingir o rigor obtido nas suas medições largando bolas metálicas do cimo da torre de Pisa e que «na prática, ele estudou a descida de esferas […] numa tábua inclinada em certo ângulo com o chão».
Considere que as esferas em análise podem ser representadas pelo seu centro de massa (modelo da partícula material).

Numa das experiências, Galileu largou uma esfera metálica de uma altura, \(h\), e mediu a distância percorrida sobre uma tábua de \(1,50 m\) de comprimento durante \(1,0 s\), \({d}_{\Delta t=1,0\,s}\), tal como se esquematiza na Figura 6, que não está à escala.
Galileu repetiu este procedimento para alturas diferentes. A tabela seguinte, adaptada do livro referido, apresenta os registos experimentais obtidos. A razão \(\frac{h}{1,50}\) exprime a inclinação da tábua em cada ensaio.
| \(\frac{h}{1,50}\) | \({d}_{\Delta t=1,0\,s}\) / m |
|---|---|
| 0,10 | 0,47 |
| 0,13 | 0,59 |
| 0,18 | 0,77 |
| 0,25 | 1,16 |
| 0,31 | 1,40 |
Determine o módulo da aceleração gravítica nas condições em que Galileu realizou a experiência.
No tratamento de dados, tal como Galileu, não considere o contributo da força de atrito.
Na sua resposta:
– deduza uma expressão matemática que relacione \({d}_{\Delta t=1,0\,s}\) com \(\frac{h}{1,50}\); – apresente a equação da reta de ajuste ao gráfico de \({d}_{\Delta t=1,0\,s}\) em função de \(\frac{h}{1,50}\); – calcule, a partir da equação da reta de ajuste, o valor solicitado, com dois algarismos significativos.
Apresente todos os cálculos efetuados.
Ver resolução
Passo 1 — Dedução (sem atrito): na tábua, a componente do peso segundo o plano dá \(a=g\sin \theta \), com \(\sin \theta =\frac{h}{1,50}\). Partindo do repouso, \(d=\frac{1}{2}a\,{t}^{2}\) e, para \(t=1,0 s\):
\[{d}_{\Delta t=1,0\,s}=\frac{1}{2}\,g\,\frac{h}{1,50}\times {\left( 1,0 \right)}^{2}=\frac{g}{2}\,\frac{h}{1,50}\]
Passo 2 — Reta de ajuste (\(y=d\); \(x=h/1,50\)), calculadora: \(d\approx 4,53\,\frac{h}{1,50}-0,0009\) (SI).
Passo 3 — Aceleração gravítica: o declive é \(\frac{g}{2}=4,53\), logo
\[g=2\times 4,53\approx 9,1 {\text{m s}}^{-2}\]
Exercício 8
★★★Exercício de editoraAreal, Prova-modelo n.º 2 — Grupo VI, itens 1, 2, 3
Numa aula laboratorial de Física, um grupo de alunos pretendia estudar o movimento de um carrinho de atrito reduzido, com \(0,950 \text{kg}\), ao longo de uma calha horizontal. Na figura, que não está à escala, encontra-se representada uma montagem semelhante à utilizada pelos alunos.
O carrinho, com uma tira opaca estreita de comprimento \(ℓ\), percorre a calha horizontal ligado por um fio a um corpo suspenso de massa \(0,400 \text{kg}\), que cai na vertical. O fio apresenta um comprimento tal que permite que o corpo suspenso embata no solo antes de o carrinho chegar ao fim da calha.
Os alunos registaram o tempo de passagem do carrinho na célula fotoelétrica, \(\Delta t\), em diferentes pontos do percurso, assim como o tempo total decorrido entre o momento em que o carrinho é largado pelo eletroíman, até à passagem pela célula fotoelétrica, \(\Delta {t}_{\text{total}}\).
Após a recolha dos dados determinaram o valor da velocidade do carrinho ao atravessar a célula fotoelétrica, em várias posições, e construíram o gráfico da velocidade em função do tempo.
Considere que o carrinho pode ser representado pelo seu centro de massa.

a) [★] Para medir o comprimento, \(ℓ\), da tira opaca estreita utilizou-se uma régua com uma escala cuja menor divisão é \(1 \text{mm}\). Qual é a incerteza de leitura associada à medição do comprimento em unidades do SI?

b) [★★] Considerando \({t}_{\text{solo}}\) o instante em que o corpo suspenso embate no solo, qual é o gráfico da velocidade em função do tempo que traduz o movimento do carrinho ao longo da calha?
c) [★★★] Num dos ensaios realizados, o carrinho percorreu \(0,600 m\) até a tira opaca passar pela célula fotoelétrica tendo-se registado um \(\Delta t\) de \(0,070 s\).
Determine a intensidade da resultante das forças que atuaram no carrinho.
Apresente todas as etapas de resolução.
Ver resolução
a) ★
Resposta: \(5\times {10}^{-4} m\)
Numa escala analógica, a incerteza de leitura é metade da menor divisão: \(\frac{1 \text{mm}}{2}=0,5 \text{mm}=5\times {10}^{-4} m\).
b) ★★
Resposta: (D) (Versão 1)
Até \({t}_{\text{solo}}\) o carrinho é puxado pelo fio (a resultante é constante e não nula): movimento retilíneo uniformemente acelerado, partindo do repouso: segmento de reta crescente que parte da origem.
Depois de o corpo embater no solo o fio deixa de exercer força; sendo o atrito desprezável, a resultante é nula e o carrinho move-se com velocidade constante: segmento horizontal.
c) ★★★
Passo A — Velocidade ao passar na célula (comprimento da tira \(ℓ=0,130 m\), lido na figura):
\[v=\frac{ℓ}{\Delta t}=\frac{0,130}{0,070}=1,86 {\text{m s}}^{-1}\]
Passo B — Aceleração (movimento uniformemente acelerado, a partir do repouso; \({v}^{2}=2\,a\,d\)):
\[a=\frac{{v}^{2}}{2\,d}=\frac{1,{86}^{2}}{2\times 0,600}=2,9 {\text{m s}}^{-2}\]
Passo C — Resultante das forças (2.ª lei de Newton, aplicada ao carrinho):
\[{F}_{R}=m\,a=0,950\times 2,9\approx 2,7 N\]